28 dezembro 2009

São Silvestre Porto 2009

No passado Domingo participei na 16ª edição da São Silvestre do Porto. Foi também a minha segunda presença nesta prova que muitos referem ser a sua preferida, quer pelo percurso que percorre o centro do Porto , quer pelo apoio do público, que apesar das noites frias e chuvosas de Dezembro faz sempre questão de marcar presença. Também o facto da corrida ser à noite, com as ruas ainda repletas de iluminações natalícias fazem deste evento um grande sucesso.

Em contraste com o ano passado a chuva caiu mesmo durante grande parte da prova. Também ao contrário do ano passado não fui carregado de cachecóis e cobertores. Bastaram apenas alguns minutos de aquecimento para espantar o frio e depois a própria adrenalina competitiva se encarrega de nos aquecer os músculos. :D
Foi durante o aquecimento que encontrei o Miguel Torres visivelmente aborrecido por não ter conseguido resgatar o dorsal. A organização da RunPorto raramente merece reparos, mas não consigo compreeender bem a inflexibilidade da organização em relação a este aspecto, principalmente porque, segundo percebi, foram lestos a aceitar a inscrição de mais 500 atletas (para além dos 5000 previstos), mas não o foram para prolongar alguns minutos o prazo para levantar o dorsal. Julgo que até 30 minutos antes da partida seria razoável e evitaria o desagrado relatado no blog do Miguel.

A faltarem cerca de 15 minutos entrei na zona de partida e lá terminei o meu aquecimento. A partida foi algo tumultuosa dado que muitos dos atletas que estavam na frente estavam para além da linha da partida e o tiro não era dado enquanto não estivessem todos atrás da mesma.
De qualquer forma passados alguns instantes soou o tiro e cerca de 5000 pessoas começaram a descer a Avenida dos Aliados.

A corrida começa com cerca de 300 metros a descer a sala de visitas da cidade do Porto, entra na Praça da Liberdade e volta a subir os Aliados. Bonito de ver e de se correr, mas não havia tempo para apreciar a paisagem. O volume de atletas impedia que aproveitasse o declive inicial, mas logo a seguir a subida que nos esperava encarregar-se-ia de nos abrandar o passo. Contudo ainda fui passando bastante gente até chegar à Rua Formosa, onde a rua é bastante mais estreita e o caudal de gente é demasiado, obrigando a reduzir a passada.

Viro à esquerda e começo a subir Sá da Bandeira. Díficil como poderão ver pelo gráfico de elevação abaixo. Fecho aqui o 1º K com 3m56s.

Continua a subida de Sá da Bandeira, entramos ligeiramente na Rua Gonçalo Cristovão, apenas alguns metros planos suficientes para recuperar o fôlego e encarar a subida da Rua Santa Catarina até ao Jardim do Marquês. Penso para mim como é possível alguém escalar esta rua com uma média de 3 minutos por K e reparo numa atleta do Maratona Clube de Portugal que me pareceu em dificuldades (mais tarde vi que era a Mónica Silva).
Com cerca de 2400 metros corridos chegamos ao Marquês que nesta prova é um verdadeiro oásis. Entra-se na Constituição e começa-se a descer ligeiramente. Muito público a apoiar na rua e nas varandas. Excelente!

Ia entretido na minha passada quando vejo que a tal atleta do Maratona em franca recuperação. Aproveitei a "roda" dela e acelerei o passo durante a toda a Constituição e Antero de Quental. Assim fui ganhando alguns segundos na descida dado que fiz o 3º e 4º K em 3m40s e 3m28 respectivamente.

Progressivamente fui perdendo contacto com a Mónica Silva (MS), mas ganhei outro aliado quase a chegar à Praça da República. Troquei algumas palavras com um atleta no sentido de tentarmos chegar ao grupo onde já ia inserida a MS e lá fomos os dois a puxar um pelo outro de maneira a fazer o 5ºK em 3m22s que foi completado já novamente nos Aliados.
Ia começar a parte difícil, porque na segunda volta a subida ainda era mais íngreme. Desta vez era preciso subir a totalidade da Rua Sá Bandeira.

Íamos tão concentrados que nem vimos o abastecimento do lado esquerdo (na altura achei que tinha sido distracção minha, mas depois soube que era uma humilde mesa de abastecimento o que para uma prova com 1800 atletas me parece manifestamente pouco, mas "isto sou eu que não percebo nada disto" como diz um locutor de rádio do RCP que agora não me lembro o nome).

O meu parceiro de corrida ia bem forte e logo me apercebi que não o ia conseguir acompanhar. Tive pena de não saber o nome dele, porque ele ainda me incentivou bastantes vezes antes de seguir sozinho. Apreciei bastante a atitude dele! Grande atleta!

Mesmo assim inclinei o corpo para a frente e lá fui como podia até chegar novamente ao Marquês , tendo gasto 3m59s e 4m35s nos 6º e 7º Km.

De qualquer forma o desgaste era geral, porque só me recordo de ter sido ultrapassado por um atleta durante toda a subida.
Na Constituição já era outro terreno e " a descer todos os santos ajudam", o que me fez recuperar tempo. Em relação ao ano passado também já sinto outra segurança nas descidas, sem ter de me preocupar com os joelhos no dia seguinte.

Nesta fase da corrida começou a chover forte, mas agora à distãncia nem me recordo se me afectou, porque se olhar para os parciais dos últimos Km (3m51s, 3m37s e 3m32s) são muitos idênticos aos da primeira volta e desta vez nem sequer tinha "lebres".
Prova terminada novamente nos Aliados com a subida para a meta a exigir o esforço para o sprint final e a terminar com 38m26s (tempo de chip).

Este ano gostei bastante da prova e até arrisco dizer que só tornou numa das minhas favoritas!
Entretanto recomendo a leitura deste relato de uma corredora americana sobre a São Silvestre do Porto, porque é sempre bom ouvir falar bem da nossa cidade e ainda mais se fôr alguém de fora.
Um Excelente 2010 para todos!

2 comentários:

João Paulo Meixedo disse...

Tarda mas não falha. Sim senhor, belo relato. Olha, eu ia bem devagar mas também não reparei no abastecimento.
Boa sorte para hoje em Stº Tirso.
Porreiro o link para a "amaricana"
Grande abraço e excelente 2010,
JP

MPaiva disse...

Mark,

Fizeste uma boa prova e deixas aqui um relato digno da prova!

abraço
MPaiva